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	<title>(des)interessante por Ricardo Sousa &#187; rankings</title>
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	<description>Um blog pessoal de Ricardo Sousa, espaço para as suas divagações e pensamentos.</description>
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		<title>Educação: Parem o sofrimento, matem-na já!</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 14:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Sousa</dc:creator>
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Depois de uma pausa na escrita motivada por outros projectos e outros afazeres que se colocaram entre mim e este blogue volto, desta vez com um texto que, apesar de ter servido de texto livre para a disciplina de Língua Portuguesa, foi pensado para este blogue, quase que como um &#8220;manifesto&#8221; pelo tipo de educação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="Educação" src="/wp-content/uploads/2009/12/1195959_44316751.jpg" alt="" width="475" height="315" /></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de uma pausa na escrita motivada por outros projectos e outros afazeres que se colocaram entre mim e este blogue volto, desta vez com um texto que, apesar de ter servido de texto livre para a disciplina de Língua Portuguesa, foi pensado para este blogue, quase que como um &#8220;manifesto&#8221; pelo tipo de educação que defendo. É, certamente, grande mas penso que sumariza a minha visão geral da (des)Educação deste país.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou certo de que, como eu, também já o estimado leitor teve a oportunidade de se deparar com as manchetes sobre a educação num qualquer diário ou semanário&#8230; ou, devo dizer, manchetes sobre a avaliação dos professores?</p>
<p style="text-align: justify;">O aproveitamento político e o sensacionalismo vedam-nos os olhos com extrema facilidade, fazendo parecer que o único problema que o sistema educativo português tem é a (recente) questão da avaliação dos professores. Deixe-me, no entanto, que o esclareça, afirmando peremptoriamente que, de facto, não é.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-160"></span>Os problemas do sistema educativo português (e de alguns outros sistemas educativos do mundo) são vários e estão longe de se cingir à questão dos professores. Apesar de toda a importância que estou certo que a carreira dos docentes merece ter, é, também, importante que aqueles que realmente podem influenciar de alguma forma o poder decisório, leia-se os nossos representantes na A.R. e/ou os meios de comunicação social, tomem conhecimento da realidade que se vive nas escolas e que transcende qualquer debate mediático.</p>
<p>Pretende-se que o presente texto seja desprovido de qualquer contexto político-partidário (por muito difícil que tal seja), e que a verdadeira essência do mesmo seja a problemática que este aborda. Fica, por isso, esclarecido o caro leitor que este texto não pretende criticar José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues ou, a recém-chegada, Isabel Alçada, mas sim o conjunto de decisões que têm vindo a ser tomadas ao longo dos últimos anos no contexto da educação.</p>
<p><strong>Decorar.</strong></p>
<p>Não sou, certamente, o único aluno neste país revoltado com o facto de grande parte do ensino-aprendizagem que tenho direito a receber nas escolas públicas do meu país ser baseado no modelo do &#8220;ouve, decora, escreve, esquece&#8221;. Para quê? Pergunto.</p>
<p>Esta é a melhor, mas também a mais cruel forma de matar e destruir toda a criatividade. É a forma de destruir a capacidade inventiva e inovadora dos jovens. Porque se os erros se tornam o próximo grande pecado os alunos não arriscam ser criativos, não arriscam errar!</p>
<p>Estou certo de que é importante eu saber todos aqueles brilhantes nomes de biologia que as professoras (ou professores, já que para o caso é indiferente) me tentam ensinar ao longo dos anos, mas a minha pergunta é&#8230; qual é a aplicação desses trezentos e trinta e três nomes na minha vida quotidiana? Bem&#8230; a resposta passa mesmo por uma palavra, &#8220;Nenhuma&#8221;. Porquê? Porque o mercado de trabalho hoje em dia (o bom mercado de trabalho, entenda-se) não procura quem sabe tudo na ponta da língua, procura antes quem é capaz de interligar conceitos, quem é capaz de perante um problema o resolver, quem é pro-activo, quem apresenta iniciativa.</p>
<p>Não estou a dizer que um biólogo não tenha de saber alguns nomes e/ou ter alguns conceitos em memória. No entanto, isso não implica, em maior parte dos casos, que tenha que ter tudo decorado, já que na prateleira do laboratório está um livro com essa informação, ou na mesa assenta um computador com toda a informação produzida pelo ser Humano. O que o cientista tem de ter como competência é&#8230; a capacidade de saber o que procurar e, claro, procurar&#8230;<br />
Assim, afirmo, assumindo as consequências, que dentro de alguns (não muitos) anos vamos ver que o “canudo” vale pouco&#8230; porque, claro, “toda a gente” o vai ter!</p>
<p>Isto leva-me ao segundo tópico&#8230;</p>
<p><strong>Descontextualização Temporal.</strong></p>
<p>Um aluno que hoje entre no 5º ano acaba a sua licenciatura &#8230; em 11 anos, na melhor das hipóteses. A pergunta que importa colocar é&#8230; estamos a preparar esses jovens para o que o mercado de trabalho vai pedir daqui a 11 anos? É evidente que é impossível prever o que vai acontecer daqui a onze anos, mas se começássemos a fazer adequações à realidade que vemos todos os dias certamente este diferencial enorme esbater-se-ia.</p>
<p>E esta é uma questão importante. Se não dotarmos os futuros profissionais de competências e técnicas que eles tendem a precisar no futuro, arriscamos que estes não sejam bons profissionais e que, desta forma, o ensino tenha falhado para com eles redondamente.</p>
<p><strong>Tu não prestas, vai para os profissionais!</strong></p>
<p>Mentira! Outro dos problemas que temos vindo a assistir é que, embora os cursos profissionais munam os alunos dos saberes essenciais para que estes possam ser excelentes profissionais no futuro, qualquer aluno que entre nesses cursos é considerado inferior aos outros que optam pelos ditos cursos “regulares”. Porquê? Porque se criou a ideia (e aplicou em alguns casos) de que os cursos profissionais são para os &#8220;burros&#8221;.</p>
<p>Isto tem duas implicações directas. A primeira é que afasta possíveis bons profissionais desses cursos com o medo dos rótulos e o segundo é que os cursos profissionais acabam por ser uma excelente forma de “fazer passar” (à custa do estigma) muitos alunos que não revelam capacidades na área, lançando para o mercado maus profissionais e&#8230; aumentando as estatísticas!</p>
<p>Outra coisa que é importante que se perceba é que nem todos nasceram para concluir o 12º ano. É um erro, nem todos podem ser doutores. Há alunos que não têm capacidade/aptidão/vontade/orientação para acabar o 12º ano. Quer porque não estão na área correcta, quer porque não têm mesmo capacidade para concluir os seus estudos, preferindo a vertente prática. Conheço excelentes empresários portugueses com a “4ª classe”, sendo a vida quem os guiou para o sucesso!</p>
<p>Mais uma vez isto leva-me, em parte, para outro ponto.<br />
<strong><br />
O meu talento.</strong></p>
<p>Cada um tem um talento, uma capacidade escondida. Como disse (e bem) Barack Obama no início do ano lectivo americano, é impossível saber se vamos ser excelentes escritores se não fizermos o trabalho de inglês, ou neste caso de português. E aqui aplica-se a mesma lógica. Quero frisar dois pontos:</p>
<p><em><span style="text-decoration: underline;">a) Standardização do Ensino</span></em><br />
Temos um ensino para as massas. Nem todos somos génios da matemática. Talvez o aluno X seja incapaz de se tornar um proficiente matemático mas seja um excelente actor. Mas&#8230; esperem&#8230; ao contrário do caso da matemática, não há uma disciplina de teatro. Lá vai o aluno X para os profissionais!</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><em>b) Necessidade de estimular a descoberta de competências</em></span><br />
Os professores não o fazem talvez por não saberem como o fazer, ou porque nunca ninguém lhes disse que tinham que o fazer, mas a verdade é que, no nosso dia-a-dia, numa escola, somos estimulados a saber os conteúdos (o tal decorar, lembra-se?), mas não a partir em auto-descoberta, em ser capaz de descobrir uma área em que tenhamos mais á vontade, que gostemos. Ser capazes de chegar a conclusões porque vemos os processos e não porque o livro do Professor Doutor o diz é algo que não acontece nas escolas portuguesas.<br />
Os alunos têm de mostrar mais empenho na descoberta de uma área que vá de encontro aos seus interesses, mas também os professores têm de fazer com que estes abram os horizontes e saiam de dentro das páginas dos livros.<br />
Não estou, obviamente, a argumentar que devemos apenas saber o que gostamos/temos mais apetência para, mas sim que a escola e os agentes educativos nos devem dar as ferramentas e oportunidades para descobrir algo em que possamos ser úteis à sociedade.<br />
Caso contrário&#8230; profissionais!</p>
<p>Isto leva-me de volta aos professores.</p>
<p><strong>Tecnologia e Inovação na sala de aula? PowerPoint.</strong></p>
<p>Este assunto, talvez por tender mais para a área tecnológica, acaba por gerar em mim uma enorme quantidade de revolta. Vamos tornar isto claro&#8230; um quadro interactivo não é um pano branco, o uso das TIC na sala de aula não é passar powerpoint&#8217;s que pedimos emprestados aos colegas. Só quando os estimados professores que lêem este texto entenderem isso as TIC poderão ser aplicadas na sala de aula de forma correcta. E, olhando apenas para os powerpoints, estes têm grandes problemas. Quais? Na sua maioria, são esteticamente pouco apelativos, copiados do colega e, talvez por isso, pouco adequados à minha realidade&#8230; tornando-se aborrecidos. Acaba por ser quadro e giz, mas com bits.</p>
<p>Os moodle&#8217;s, quadros interactivos e afins podem ser grandes valias no processo educativo, é preciso é que alguém explique aos professores não só isso como a sua aplicação prática. Ah&#8230; e não fica fácil para os professores usar técnicas alternativas quando a única coisa que o M.E. nos pede é que se coloque na cabeça dos 22 alunos da turma as 300 páginas do livro.</p>
<p><strong>Clima de Medo.</strong></p>
<p><strong><img class="aligncenter" title="Clima de Medo" src="/wp-content/uploads/2009/12/599873_15630760.jpg" alt="" width="475" height="272" /></strong></p>
<p>Quem é que escreveu o modelo de gestão de escolas em vigor? A sério&#8230; Quem?<br />
Entenda-se que a crítica a este modelo não se prende com o caso específico da minha escola, mas com a generalização que o próprio modelo implica.<br />
Que sistema &#8220;inteligente&#8221; coloca a escola &#8220;nas mãos&#8221; de uma pessoa? Como é que uma pessoa a decidir *tudo* é mais democrático que três? Como?<br />
Caro legislador,<br />
O seu gabinete com ar condicionado, secretária, computador Windows 7 legal não é, nem de perto nem de longe, o local ideal para legislar sobre o que acontece no dia-a-dia das escolas! Sabe porquê? Porque não é uma escola, santo Deus!</p>
<p>Os professores têm medo de ficar com os piores horários, passando esse receio aos alunos. Os cargos importantes são ocupados por &#8220;braços direitos&#8221; do dito director (ou directora), não havendo espaço para que se respire democracia numa escola.<br />
É este o exemplo que vamos dar a toda uma geração? Ninguém se revolta com isto? Só eu?</p>
<p>Mas já agora, por falar em Windows 7&#8230;</p>
<p><strong>Mandem-me um computador sff.</strong></p>
<p>Aqui vou ser rápido e conciso. Tenho publicado muita coisa sobre esta temática. Podem enviar os computadores, quadros interactivos e &#8220;aparelhos informáticos&#8221; que quiserem para as escolas, mas enquanto não ensinarem a alunos que há um mundo para além do Internet Explorer que acede ao Hi5 e o Word que serve para copiar os textos da Wikipedia, ou enquanto não disserem aos professores como usar os quadros interactivos, ou como fazer aulas sem powerpoints, então meus caros&#8230; não fizeram nada!</p>
<p>Para além disso indigna-me que os professores e alunos numa escola só usem software Microsoft. Percebo a “habituação” ao uso e as vantagens que isso traz, mas também vejo as limitações e implicações futuras da capacidade de apenas trabalhar num ambiente e de “dar milhares” à mesma empresa. Talvez, no futuro, alguém se lembre que há vida para além da Microsoft, talvez&#8230;<br />
<strong><br />
Avaliação dos professores.</strong></p>
<p>Sinceramente&#8230;</p>
<p>Não me interessa quem tem razão. Acho que é uma birra enorme dos dois lados. Mas acho também que essa birra está a provocar um descontentamento e mau ambiente entre o corpo docente. “Há sistema de avaliação de professores, mas só para quem quiser”. A sério, quão ridículo é isto? É o mesmo que dizerem &#8220;Ricardo, andas na escola todos os dias&#8230; fazes o que quiseres. Há um sistema de avaliação, mas só te sujeitas a ele se quiseres, ok? Se não, não és avaliado!&#8221; Mas isto faz algum sentido?<br />
Sejamos claros! Há bons e maus professores, professores que sabem ensinar e que não sabem, que sabem avaliar e que não sabem, e os maus têm de ser castigados. Assim como se eu não souber nada sou castigado. Ponto Final.<br />
Se os moldes em que essa avaliação é feita não são correctos cheguem a um consenso e definam-nos&#8230; mas lembrem-se de uma coisa&#8230; ninguém me perguntou se eu me importava de ser avaliado com um exame&#8230;<br />
Os professores devem participar no processo, mas não são eles que têm que decidir como vão ser avaliados. Caso contrário não faremos a selecção dos bons e dos maus professores! É, mais uma vez, ridículo&#8230;</p>
<p><strong>Eu não sou um exame!</strong></p>
<p>Toda a dinâmica de uma escola portuguesa gira em torno dos exames nacionais. Andamos um ano todo (ou três) a preparar-nos para um exame (não é a aprender). Andamos uma vida toda a temer aquelas duas horas e&#8230; a minha vida inteira (ou 30% ou 50% dela) pode ficar decidida em duas horas. Sabe o que digo? (adivinhe&#8230;) &#8220;Ridículo&#8221;!</p>
<p>E depois dos exames há, claro&#8230; os rankings! Oh, minha nossa&#8230; quem é que pensa em avaliar a qualidade de uma escola pela quantidade de 20&#8217;s que tem no exame? Desde quando o desporto escolar, actividades extra-curriculares são &#8220;lixo&#8221;? Sabem que mais? Aposto que é isso que o mercado daqui a onze (ou menos) anos vai estar a pedir mais. Quando todos forem doutores, o diploma vai contar pouco e os ditos &#8220;rankings&#8221; vão ter de ser ajustados.</p>
<p>Os rankings não podem, não devem, incluir apenas os resultados dos exames e da nota de frequência, mas também deveriam pesar todas as iniciativas e actividades que contribuem para a formação dos alunos.</p>
<p>Sei que seria difícil fazer uma avaliação justa por outra forma que não testes e exames, mas também não sou pago para passar dias nos gabinetes a pensar nisso! Estou certo que há melhores soluções do que a actual. Ou pelo menos conjugação com outras soluções, isto é, ao invés de pesar apenas os 30% do exame, que tal dar lugar ao “extra”? É surrealista querer definir um aluno por duas horas da vida dele. Os exames são e serão uma forma, per si, descabida de avaliar alunos e escolas.</p>
<p>Garanto-vos que há melhores escolas do que aquelas que têm grandes médias nos exames nacionais&#8230; há, sem dúvida!</p>
<p><strong>Conclusão.</strong></p>
<p>Trabalhamos para a estatística, não para a formação!</p>
<p>Quer seja na avaliação dos alunos, das escolas, dos professores, no dia-a-dia das aulas&#8230; trabalhamos para as estatísticas. Grande parte dos professores trabalha *apenas* para ganhar o seu ordenado no fim do mês, as escolas trabalham para os exames, pressionando os professores&#8230; os alunos vêem-se obrigados a focar-se exclusivamente nos exames e na avaliação que deste sai.<br />
Passam-se alunos ao colo, não se inova na forma de dar aulas, ficamos presos a um ensino do século passado que não estimulam as capacidades a serem usadas no dia-a-dia, criamos o ensino profissional para servir de passagem rápida até à meta&#8230; a meta é, sempre e invariavelmente, criar estatística&#8230; aumentar os que acabam o 12º ano!</p>
<p>Não se iludam&#8230; tanto é culpado quem trabalha apenas para aumentar as estatísticas como quem olha para os índices de conclusão do 12º ano como medida de qualquer tipo de excelência de ensino.<br />
Olho antes para exemplos de dedicação extra-aula, para inovações curriculares e formativas, para iniciativas de carácter empreendedor como a réstia de esperança de que o ensino e o futuro do meu país não se vai medir por quantos alunos acabam o 12º ano.</p>
<p>Posto isto, só peço uma coisa&#8230; matem já a educação, parem o sofrimento de quem vive o dia-a-dia deste moribundo sistema!</p>
<p>A propósito e para quem se interessar pelo tema, aqui ficam os melhores 20 minutos da vossa vida: <a href="http://bit.ly/TEDKEN">http://bit.ly/TEDKEN</a> (Sir Ken Robinson na TED, “School kills Criativity”).</p>
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