Educação: Parem o sofrimento, matem-na já!

Depois de uma pausa na escrita motivada por outros projectos e outros afazeres que se colocaram entre mim e este blogue volto, desta vez com um texto que, apesar de ter servido de texto livre para a disciplina de Língua Portuguesa, foi pensado para este blogue, quase que como um “manifesto” pelo tipo de educação que defendo. É, certamente, grande mas penso que sumariza a minha visão geral da (des)Educação deste país.
Estou certo de que, como eu, também já o estimado leitor teve a oportunidade de se deparar com as manchetes sobre a educação num qualquer diário ou semanário… ou, devo dizer, manchetes sobre a avaliação dos professores?
O aproveitamento político e o sensacionalismo vedam-nos os olhos com extrema facilidade, fazendo parecer que o único problema que o sistema educativo português tem é a (recente) questão da avaliação dos professores. Deixe-me, no entanto, que o esclareça, afirmando peremptoriamente que, de facto, não é.
Os problemas do sistema educativo português (e de alguns outros sistemas educativos do mundo) são vários e estão longe de se cingir à questão dos professores. Apesar de toda a importância que estou certo que a carreira dos docentes merece ter, é, também, importante que aqueles que realmente podem influenciar de alguma forma o poder decisório, leia-se os nossos representantes na A.R. e/ou os meios de comunicação social, tomem conhecimento da realidade que se vive nas escolas e que transcende qualquer debate mediático.
Pretende-se que o presente texto seja desprovido de qualquer contexto político-partidário (por muito difícil que tal seja), e que a verdadeira essência do mesmo seja a problemática que este aborda. Fica, por isso, esclarecido o caro leitor que este texto não pretende criticar José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues ou, a recém-chegada, Isabel Alçada, mas sim o conjunto de decisões que têm vindo a ser tomadas ao longo dos últimos anos no contexto da educação.
Decorar.
Não sou, certamente, o único aluno neste país revoltado com o facto de grande parte do ensino-aprendizagem que tenho direito a receber nas escolas públicas do meu país ser baseado no modelo do “ouve, decora, escreve, esquece”. Para quê? Pergunto.
Esta é a melhor, mas também a mais cruel forma de matar e destruir toda a criatividade. É a forma de destruir a capacidade inventiva e inovadora dos jovens. Porque se os erros se tornam o próximo grande pecado os alunos não arriscam ser criativos, não arriscam errar!
Estou certo de que é importante eu saber todos aqueles brilhantes nomes de biologia que as professoras (ou professores, já que para o caso é indiferente) me tentam ensinar ao longo dos anos, mas a minha pergunta é… qual é a aplicação desses trezentos e trinta e três nomes na minha vida quotidiana? Bem… a resposta passa mesmo por uma palavra, “Nenhuma”. Porquê? Porque o mercado de trabalho hoje em dia (o bom mercado de trabalho, entenda-se) não procura quem sabe tudo na ponta da língua, procura antes quem é capaz de interligar conceitos, quem é capaz de perante um problema o resolver, quem é pro-activo, quem apresenta iniciativa.
Não estou a dizer que um biólogo não tenha de saber alguns nomes e/ou ter alguns conceitos em memória. No entanto, isso não implica, em maior parte dos casos, que tenha que ter tudo decorado, já que na prateleira do laboratório está um livro com essa informação, ou na mesa assenta um computador com toda a informação produzida pelo ser Humano. O que o cientista tem de ter como competência é… a capacidade de saber o que procurar e, claro, procurar…
Assim, afirmo, assumindo as consequências, que dentro de alguns (não muitos) anos vamos ver que o “canudo” vale pouco… porque, claro, “toda a gente” o vai ter!
Isto leva-me ao segundo tópico…
Descontextualização Temporal.
Um aluno que hoje entre no 5º ano acaba a sua licenciatura … em 11 anos, na melhor das hipóteses. A pergunta que importa colocar é… estamos a preparar esses jovens para o que o mercado de trabalho vai pedir daqui a 11 anos? É evidente que é impossível prever o que vai acontecer daqui a onze anos, mas se começássemos a fazer adequações à realidade que vemos todos os dias certamente este diferencial enorme esbater-se-ia.
E esta é uma questão importante. Se não dotarmos os futuros profissionais de competências e técnicas que eles tendem a precisar no futuro, arriscamos que estes não sejam bons profissionais e que, desta forma, o ensino tenha falhado para com eles redondamente.
Tu não prestas, vai para os profissionais!
Mentira! Outro dos problemas que temos vindo a assistir é que, embora os cursos profissionais munam os alunos dos saberes essenciais para que estes possam ser excelentes profissionais no futuro, qualquer aluno que entre nesses cursos é considerado inferior aos outros que optam pelos ditos cursos “regulares”. Porquê? Porque se criou a ideia (e aplicou em alguns casos) de que os cursos profissionais são para os “burros”.
Isto tem duas implicações directas. A primeira é que afasta possíveis bons profissionais desses cursos com o medo dos rótulos e o segundo é que os cursos profissionais acabam por ser uma excelente forma de “fazer passar” (à custa do estigma) muitos alunos que não revelam capacidades na área, lançando para o mercado maus profissionais e… aumentando as estatísticas!
Outra coisa que é importante que se perceba é que nem todos nasceram para concluir o 12º ano. É um erro, nem todos podem ser doutores. Há alunos que não têm capacidade/aptidão/vontade/orientação para acabar o 12º ano. Quer porque não estão na área correcta, quer porque não têm mesmo capacidade para concluir os seus estudos, preferindo a vertente prática. Conheço excelentes empresários portugueses com a “4ª classe”, sendo a vida quem os guiou para o sucesso!
Mais uma vez isto leva-me, em parte, para outro ponto.
O meu talento.
Cada um tem um talento, uma capacidade escondida. Como disse (e bem) Barack Obama no início do ano lectivo americano, é impossível saber se vamos ser excelentes escritores se não fizermos o trabalho de inglês, ou neste caso de português. E aqui aplica-se a mesma lógica. Quero frisar dois pontos:
a) Standardização do Ensino
Temos um ensino para as massas. Nem todos somos génios da matemática. Talvez o aluno X seja incapaz de se tornar um proficiente matemático mas seja um excelente actor. Mas… esperem… ao contrário do caso da matemática, não há uma disciplina de teatro. Lá vai o aluno X para os profissionais!
b) Necessidade de estimular a descoberta de competências
Os professores não o fazem talvez por não saberem como o fazer, ou porque nunca ninguém lhes disse que tinham que o fazer, mas a verdade é que, no nosso dia-a-dia, numa escola, somos estimulados a saber os conteúdos (o tal decorar, lembra-se?), mas não a partir em auto-descoberta, em ser capaz de descobrir uma área em que tenhamos mais á vontade, que gostemos. Ser capazes de chegar a conclusões porque vemos os processos e não porque o livro do Professor Doutor o diz é algo que não acontece nas escolas portuguesas.
Os alunos têm de mostrar mais empenho na descoberta de uma área que vá de encontro aos seus interesses, mas também os professores têm de fazer com que estes abram os horizontes e saiam de dentro das páginas dos livros.
Não estou, obviamente, a argumentar que devemos apenas saber o que gostamos/temos mais apetência para, mas sim que a escola e os agentes educativos nos devem dar as ferramentas e oportunidades para descobrir algo em que possamos ser úteis à sociedade.
Caso contrário… profissionais!
Isto leva-me de volta aos professores.
Tecnologia e Inovação na sala de aula? PowerPoint.
Este assunto, talvez por tender mais para a área tecnológica, acaba por gerar em mim uma enorme quantidade de revolta. Vamos tornar isto claro… um quadro interactivo não é um pano branco, o uso das TIC na sala de aula não é passar powerpoint’s que pedimos emprestados aos colegas. Só quando os estimados professores que lêem este texto entenderem isso as TIC poderão ser aplicadas na sala de aula de forma correcta. E, olhando apenas para os powerpoints, estes têm grandes problemas. Quais? Na sua maioria, são esteticamente pouco apelativos, copiados do colega e, talvez por isso, pouco adequados à minha realidade… tornando-se aborrecidos. Acaba por ser quadro e giz, mas com bits.
Os moodle’s, quadros interactivos e afins podem ser grandes valias no processo educativo, é preciso é que alguém explique aos professores não só isso como a sua aplicação prática. Ah… e não fica fácil para os professores usar técnicas alternativas quando a única coisa que o M.E. nos pede é que se coloque na cabeça dos 22 alunos da turma as 300 páginas do livro.
Clima de Medo.

Quem é que escreveu o modelo de gestão de escolas em vigor? A sério… Quem?
Entenda-se que a crítica a este modelo não se prende com o caso específico da minha escola, mas com a generalização que o próprio modelo implica.
Que sistema “inteligente” coloca a escola “nas mãos” de uma pessoa? Como é que uma pessoa a decidir *tudo* é mais democrático que três? Como?
Caro legislador,
O seu gabinete com ar condicionado, secretária, computador Windows 7 legal não é, nem de perto nem de longe, o local ideal para legislar sobre o que acontece no dia-a-dia das escolas! Sabe porquê? Porque não é uma escola, santo Deus!
Os professores têm medo de ficar com os piores horários, passando esse receio aos alunos. Os cargos importantes são ocupados por “braços direitos” do dito director (ou directora), não havendo espaço para que se respire democracia numa escola.
É este o exemplo que vamos dar a toda uma geração? Ninguém se revolta com isto? Só eu?
Mas já agora, por falar em Windows 7…
Mandem-me um computador sff.
Aqui vou ser rápido e conciso. Tenho publicado muita coisa sobre esta temática. Podem enviar os computadores, quadros interactivos e “aparelhos informáticos” que quiserem para as escolas, mas enquanto não ensinarem a alunos que há um mundo para além do Internet Explorer que acede ao Hi5 e o Word que serve para copiar os textos da Wikipedia, ou enquanto não disserem aos professores como usar os quadros interactivos, ou como fazer aulas sem powerpoints, então meus caros… não fizeram nada!
Para além disso indigna-me que os professores e alunos numa escola só usem software Microsoft. Percebo a “habituação” ao uso e as vantagens que isso traz, mas também vejo as limitações e implicações futuras da capacidade de apenas trabalhar num ambiente e de “dar milhares” à mesma empresa. Talvez, no futuro, alguém se lembre que há vida para além da Microsoft, talvez…
Avaliação dos professores.
Sinceramente…
Não me interessa quem tem razão. Acho que é uma birra enorme dos dois lados. Mas acho também que essa birra está a provocar um descontentamento e mau ambiente entre o corpo docente. “Há sistema de avaliação de professores, mas só para quem quiser”. A sério, quão ridículo é isto? É o mesmo que dizerem “Ricardo, andas na escola todos os dias… fazes o que quiseres. Há um sistema de avaliação, mas só te sujeitas a ele se quiseres, ok? Se não, não és avaliado!” Mas isto faz algum sentido?
Sejamos claros! Há bons e maus professores, professores que sabem ensinar e que não sabem, que sabem avaliar e que não sabem, e os maus têm de ser castigados. Assim como se eu não souber nada sou castigado. Ponto Final.
Se os moldes em que essa avaliação é feita não são correctos cheguem a um consenso e definam-nos… mas lembrem-se de uma coisa… ninguém me perguntou se eu me importava de ser avaliado com um exame…
Os professores devem participar no processo, mas não são eles que têm que decidir como vão ser avaliados. Caso contrário não faremos a selecção dos bons e dos maus professores! É, mais uma vez, ridículo…
Eu não sou um exame!
Toda a dinâmica de uma escola portuguesa gira em torno dos exames nacionais. Andamos um ano todo (ou três) a preparar-nos para um exame (não é a aprender). Andamos uma vida toda a temer aquelas duas horas e… a minha vida inteira (ou 30% ou 50% dela) pode ficar decidida em duas horas. Sabe o que digo? (adivinhe…) “Ridículo”!
E depois dos exames há, claro… os rankings! Oh, minha nossa… quem é que pensa em avaliar a qualidade de uma escola pela quantidade de 20’s que tem no exame? Desde quando o desporto escolar, actividades extra-curriculares são “lixo”? Sabem que mais? Aposto que é isso que o mercado daqui a onze (ou menos) anos vai estar a pedir mais. Quando todos forem doutores, o diploma vai contar pouco e os ditos “rankings” vão ter de ser ajustados.
Os rankings não podem, não devem, incluir apenas os resultados dos exames e da nota de frequência, mas também deveriam pesar todas as iniciativas e actividades que contribuem para a formação dos alunos.
Sei que seria difícil fazer uma avaliação justa por outra forma que não testes e exames, mas também não sou pago para passar dias nos gabinetes a pensar nisso! Estou certo que há melhores soluções do que a actual. Ou pelo menos conjugação com outras soluções, isto é, ao invés de pesar apenas os 30% do exame, que tal dar lugar ao “extra”? É surrealista querer definir um aluno por duas horas da vida dele. Os exames são e serão uma forma, per si, descabida de avaliar alunos e escolas.
Garanto-vos que há melhores escolas do que aquelas que têm grandes médias nos exames nacionais… há, sem dúvida!
Conclusão.
Trabalhamos para a estatística, não para a formação!
Quer seja na avaliação dos alunos, das escolas, dos professores, no dia-a-dia das aulas… trabalhamos para as estatísticas. Grande parte dos professores trabalha *apenas* para ganhar o seu ordenado no fim do mês, as escolas trabalham para os exames, pressionando os professores… os alunos vêem-se obrigados a focar-se exclusivamente nos exames e na avaliação que deste sai.
Passam-se alunos ao colo, não se inova na forma de dar aulas, ficamos presos a um ensino do século passado que não estimulam as capacidades a serem usadas no dia-a-dia, criamos o ensino profissional para servir de passagem rápida até à meta… a meta é, sempre e invariavelmente, criar estatística… aumentar os que acabam o 12º ano!
Não se iludam… tanto é culpado quem trabalha apenas para aumentar as estatísticas como quem olha para os índices de conclusão do 12º ano como medida de qualquer tipo de excelência de ensino.
Olho antes para exemplos de dedicação extra-aula, para inovações curriculares e formativas, para iniciativas de carácter empreendedor como a réstia de esperança de que o ensino e o futuro do meu país não se vai medir por quantos alunos acabam o 12º ano.
Posto isto, só peço uma coisa… matem já a educação, parem o sofrimento de quem vive o dia-a-dia deste moribundo sistema!
A propósito e para quem se interessar pelo tema, aqui ficam os melhores 20 minutos da vossa vida: http://bit.ly/TEDKEN (Sir Ken Robinson na TED, “School kills Criativity”).











carlos
15 Jan, 2010
Meu caro jovem:
Depois de ler alguns dos seus textos, começo por confessar-lhe que comungo de algumas das suas preocupações do foro educativo, ainda que não subscreva o alegado atraso tecnológico na área da educação, bem como algumas das suas opiniões acerca dos muitos problemas educativos que insiste em referir.
É natural que o preocupem. É jovem estudante e a escola ocupa-o a maior parte do tempo.
Não me compete a mim esclarecê-lo sobre as razões das insuficiências técnicas e tecnológicas das escolas e seus agentes educativos. Nem mesmo sobre as virtudes ou incapacidades dos professores. Para isso, temos analistas de sobra dos mais variados quadrantes e incontáveis “treinadores de bancada”. Basta ter tempo e paciência para os ouvir, um por um. Porém, como professor que, desde já, assumo ser (daqueles professores que sentem a sua profissão como uma missão, o que me enche AINDA de profundo orgulho, sentimento que, espero, um dia, o meu caro amigo venha a experimentar no seu futuro desempenho profissional) penso que desconhece o verdadeiro trabalho da maioria dos profissionais do ensino (que tanto gosta de atacar) para formar milhares de Ricardos Sousas ao longo de um ano e milhões ao longo da história da educação em Portugal. Talvez por isso não lhes tenha sobrado, aos professores, muito tempo para, como o Ricardo Sousa, dominarem na perfeição os Tweeters, os quadros interactivos, os Powerpoints, etc., etc.
Porventura, alguma vez pensou que o gosto pela leitura, a capacidade crítica, os problemas do domínio da língua e da expressão quer oral quer escrita se agravaram dramaticamente a partir da introdução desenfreada dos meios audiovisuais na sala de aula, nas salas de estar, nos quartos dos meninos e nas cozinhas lá de casa?
Pois bem, tendo-o na conta de pessoa culturalmente bem formada, com TICs ou sem elas, deduzo, pelos seus artigos, que a sua personalidade tenha resultado prodigiosa e exclusivanmente das características biológicas e temperamentais, ou seja, uma espécie de sede inata de sabedoria. Se assim foi, terá por certo rejeitado, liminarmente, toda a influência que a escola quis exercer sobre a sua personalidade e a sua inteligência. Não é assim?
De outro modo, perdoar-me-á a franqueza, mas estaria incessantemente a demonstrar uma abominável ingratidão pelas instituições que o instruíram, formaram e ajudaram a educar e estaria, na minha opinião (e perdoar-me-á também a expressão), a “morder na mão de quem lhe deu o pão”.
Considerando como plausível a primeira hipótese, há algumas questões que me merecem preocupação, enquanto membro da sua comunidade escolar.
Os graves problemas serão exclusivos da SUA escola? Se assim é, aconselho-o vivamente a mudar rapidamente de estabelecimento e a procurar outro que conheça com melhores práticas.
O problema residirá no leque de professores que lhe couberam em sorte?
Se puder voltar atrás na sua opção profissional, aconselho-o vivamente a enveredar por um curso da área educacional e dedicar-se a ensinar professores a ensinar? Iria decerto encontrar um ror de “pedanto-pedagogos” dedicados, em regime de exclusividade, à investigação educacional, que abandonaram o ensino, uns porque não gostavam de ensinar, outros porque não conseguiam lidar com alunos!
Até esses os professores ouvem e lêem com atenção… umas vezes, por curiosidade; outras, por dever; outras ainda, por imposição!
Mas, quando a reforma desses GRANDES pedagogos fracassa, já ninguém se lembra de quem a implementou e a quantidade de cobaias que foi preciso sacrificar.
Os reformistas, meu caro Ricardo, têm os filhos nos colégios! E não se importam de pagar bem, porque nós pagamos por e para eles!
Mas o culpado do insucesso, esse, é sempre o mesmo…
E a vida continua, porque os grandes idealistas ou perdem as ilusões quando a realidade os dribla ou vão para a política e seguem a carreira… e enchem a carteira. Essa é que é essa!!!
Meu caro amigo, desiluda-se de que os planos tecnológicos, com ou sem Magalhães, por mais revolucionários e perfeitos que sejam, resolvam o verdadeiro problema das escolas. Para quem pretende sacudir a água do capote, a sociedade é o espelho da escola. A mim, afigura-se-me o contrário. É que, antes da escola, o aluno esteve em contacto com um mundo cão e é difícil remar contra valores enraizados ou contra a falta deles. Para mim, a escola sofre de um cancro que vem de fora: a crise de valores e de personalidade. Esses valores que nos faltam adquirem-se com a tolerância, com a solidariedade, com a humildade, com a honestidade, com a justiça, com o respeito que possamos merecer, aquele que nos é reconhecido mas que também devemos aos outros: aos amigos, à família, aos colegas, mas do mesmo modo… aos mais velhos, aos mais fracos, à escola, a todos os que trabalham connosco ou para nós.
Escreva também sobre nisso!
Um bom ano para si!
Já agora… identifico-me, porque um dos valores que os meus humildes pais me ensinaram foi o da frontalidade, quando não havia computadores e nos víamos obrigados a falar de coisas importantes à mesa.
Autor: Carlos Alberto Machado Pina
(humilde professor da sua escola que ainda só lida com alunos há pouco mais do que um quarto de século e, portanto, pouco ou nada sabe de educação)
Ricardo Sousa
15 Jan, 2010
Caro professor Carlos,
Antes de mais referir toda a premissa do meu texto, que penso ser importante lembrar mais uma vez: “liberdade de expressão”. O eu ter uma opinião não significa que esta esteja correcta (como de certo não está!), nem significa que o professor tenha que concordar com ela (como, visivelmente, não concorda!). O que significa é que é uma opinião, a minha.
Posto isto, vamos a uma tentativa de resposta ás questões que levanta.
Percebamos o seguinte. Eu nunca disse que os “professores eram maus”. Disse, isso sim, que “há maus professores”. Estou, quase certo, que concordará comigo neste ponto. Isto não implica que o Prof. Carlos seja um mau professor, estou certo que não o é, mas eles existem! É evidente que nem todos os professores copiam os ppts dos colegas, óbvio! Mas, pela minha experiência (já que é por essa que posso falar) sei que grande parte o faz. Discordamos?
Serei certamente um dos ditos “treinadores de bancada”. Mas, queria lembrar-lhe que não me limitei a lançar afirmações. Isto é, falei da má formação dos professores a nível tecnológico (que acho terem) e dei o exemplo dos ppts. Maior parte dos treinadores de bancada que conheço, limitam-se ao primeiro passo (lançar a afirmação).
Quem é que atacou os professores? Este é, para mim, um dos grandes problemas dos professores. O problema, na minha modesta opinião, parece-me ser que leiam um texto que fala sobre vários defeitos da educação (novamente na minha opinião!) e que deste tirem “um ataque aos professores” como conclusão. Eu sei o trabalho de um professor, vejo-os todos os dias e tenho uma em casa, que chega tarde, prepara aulas, corrige testes e toda a outra panóplia de obrigações diárias extra-aula a que vocês estão sujeitos. Agora, esse facto não veda a capacidade de apontar aquelas que, para mim, são as falhas duma classe que refiro frequentemente pelo facto de ser uma classe que está, no momento presente, a tecer grande influência no meu dia-a-dia. Num emprego futuro, provavelmente, não falaria tanto de professores, ou alunos.
“Talvez por isso não lhes tenha sobrado, aos professores, muito tempo para, como o Ricardo Sousa, dominarem na perfeição os Tweeters, os quadros interactivos, os Powerpoints, etc., etc.”
Apreciei a indirecta do twitter. É ferramenta que uso, sim, e que penso ter importância, até em contexto de sala de aula. Mas fora isso, discordo de si. Sim, os professores estão sobrecarregados, mas não penso ser esse o motivo pelo qual não dominam (ou até não sabem o mínimo sobre) as novas tecnologias. O motivo é outro, e o seu texto acaba por, na minha opinião, o comprovar. Lá iremos!
Associar todos os problemas que associa à tecnologia parece-me totalmente erróneo, mas respeito-o como sendo a sua opinião. Não é por escrever no computador que tenho de escrever com erros, “k”s, ou abreviaturas. Também podia fazer contas à mão, mas se as máquinas as fazem rápido, porque não?
Acho dispensável qualquer tipo de tentativa de ataque pessoal. É óbvio que a escola me ensinou muito do que sei hoje, é óbvio que muitas das capacidades que tenho hoje me foram “dadas” pela escola. Afinal de contas, ando nestas lides do aprender há alguns anos. Mas esse facto impede que eu me revolte contra o sistema? Isto é, lá por eu ter tirado proveito do meu sistema de ensino tenho de o achar magnífico? Não tem falhas? Se assim for, porque critica, por exemplo, o governo? Não está, também, a “morder na mão de quem lhe deu o pão”? Eu penso que não, penso que isso é a liberdade de pensar diferente, e de poder expressar essa diferença de pensamento!
“Os graves problemas serão exclusivos da SUA escola?”
Não.
“O problema residirá no leque de professores que lhe couberam em sorte?”
Não. O problema é generalizado e, repito novamente, não se cinge aos professores (esses são, aliás, um dos inúmeros tópicos do meu longo texto).
Novamente, eu não quero ensinar professores a ensinar. No entanto, ninguém pode apontar aquelas que, na sua opinião (minha, neste caso) são as falhas de alguns professores? Terá de haver um “amen” a tudo o que fazem ou dizem, pelo simples facto de serem professores?
“Mas o culpado do insucesso, esse, é sempre o mesmo…”
Suponho que o “mesmo” seja ME + alunos + professor (suponho, porque esse é, na minha opinião, o conjunto de culpados!)
“os grandes idealistas ou perdem as ilusões quando a realidade os dribla ou vão para a política e seguem a carreira”
Não sei se era, mais uma vez, uma “semi-indirecta” ou se não. Mas penso que lá por termos uma opinião não temos de acabar na política… até podemos acabar como professores, engenheiros ou médicos e, na minha opinião, só nos fará melhores profissionais.
“Meu caro amigo, desiluda-se de que os planos tecnológicos, com ou sem Magalhães, por mais revolucionários e perfeitos que sejam, resolvam o verdadeiro problema das escolas. ”
Não resolvem, ajudam. A sociedade do futuro é, para o bem e para o mal, informatizada.
“Para mim, a escola sofre de um cancro que vem de fora: a crise de valores e de personalidade”
Não discordo!
Não desrespeitei a escola. Apontei-lhe aquelas que penso serem as suas falhas, que podem não ser as mesmas que pensa existir.
” ensinaram foi o da frontalidade, quando não havia computadores e nos víamos obrigados”
Fico contente por isso. Aprecio (também não me escondo!).
Perdoe-me a frontalidade, mas por não haver computadores no passado as coisas eram melhores? Quando vai ao médico não agradece os avanços cientifico-tecnológicos? Quando precisa de fazer os testes não agradece o computador e a fotocopiadora? Ou preferia fazer os 22 testes à mão? Porque é que a tecnologia tem sempre que ser vista como a inimiga? Não será por isso que os professores não passam tempo a perceber as novas tecnologias? Talvez sim. Talvez por não entenderem o seu potencial, porque a vêem como inimiga, porque se recusam a aceita-las como um “mal necessário”, ou como o futuro da educação e da sociedade, os professores tendem a não lhes dar uso.
Em suma, respeito-o muito, como a todos os professores. E, aí ao contrário do que acho de outros, aprecio o seu trabalho. Talvez por isso não compreenda a reacção “pessoal”, forte e focalizada a um texto que fala da educação e que, lembro, não é, nunca foi e não compreendo como possa ser, um ataque aos professores.
Bom ano com sucessos pessoais e profissionais.
Ricardo Sousa
carlos
16 Jan, 2010
Caro Ricardo
Não interprete as minhas palavras como uma reacção inflexível contra as novas tecnologias, muito menos contra si. É que esta coisa de se considerarem os professores uns ignorantes em matéria tecnológica, faz-me muita comichão!
Deixe-me só reforçar o meu ponto de vista relativamente ao problema central, o das tecnologias e seu verdadeiro contributo para o sucesso educativo. Quanto ao resto, aceito e respeito os seus contra-argumentos.
Trabalho com computador desde há vinte anos, quando os PCs se resumiam aos Spectrums, as impressoras tinham 12 agulhas, os programas de processamento de texto se resumiam ao Works, ao First Publisher e pouco mais. O Ricardo não se recorda. Não é do seu tempo. Entretanto, ao longo dos anos, fui-me apercebendo de que, para a minha actividade, não precisava de dominar todas as inovações informáticas que foram surgindo vertiginosamente e nunca mais pararam. Assim, tive que fazer uma opção. Esta profissão e a actualização profissional que exige esgotam o tempo que poderia ser consagrado a essa investigação. Deduzo que o mesmo se passe com os meus colegas de trabalho. Pergunte lá em casa… No entanto, reafirmo-lhe que continuo profundamente convicto de que não é no uso ou desuso das TIC que residem os problemas mais graves da educação em Portugal e há mentes pensadoras, lá em cima, que nos querem convencer disso. Até lhe digo mais: tenho verificado, ao longo dos anos (e já são alguns)que os alunos estão saturados da imagem, de tal forma que, sempre que lhes é apresentado o tal Powerpoint (mesmo quando tecnicamente aceitável e visualmente apelativo)manifestam um grau de concentração e de motivação inferior. Nunca sentiu isso na sua turma (nos seus colegas, obviamente)? E, que dizer da luta diária dos professores, quando os colegas do Ricardo, em frente dos monitores, em vez de se limitarem a responder às tarefas e às solicitações do docente, vagueiam à sorrelfa pelos mais variados “sítios” do costume? É esta a verdadeira motivação de uma parte dos jovens da sua escola, fruto, como lhe dizia no texto anterior, do vazio de valores e de referências. Felizmente vão surgindo alguns Ricardos Sousas, que sabem o que querem e justificam o nosso esforço.
Não nego a profunda desmotivação docente. Longe disso. Ela existe e é cada vez mais preocupante. Se pensar bem, verá que é compreensível. Mas não irreversível.
Em face do alucinante progresso tecnológico, há mesmo quem fale da prodigiosa ideia de concluir as disciplinas a partir de casa, até sem ir às aulas. Já não é nenhuma inovação, como sabe… A nós, professores, facilitar-nos-ia muito o trabalho e poupar-nos-ia muito no combustível. Só não me peçam para publicar notas dos alunos ao Domingo!
Se as tecnologias pudessem igualmente formar pessoas!!! Integralmente, está a ver?
As relações humanas são cruciais para atenuar o materialismo selvagem e a busca desenfreado de sucesso a qualquer preço a que assistimos diariamente. E nessa luta, que papel cabe às novas tecnologias? E à escola?
Continuo, perdoe-me, a preferir as relações humanas cara-a-cara a uma qualquer conversa webcamizada, ainda que dispusesse de imagem a 3 ou até a 4 dimensões. É que lhe falta uma outra dimensão: a dos outros quatro sentidos.
Só esses, todos juntos, despertam as verdadeiras paixões.
A visão… essa trai-nos com demasiada frequência.
Um bom fim de semana.
Carlos Pina
Ricardo Sousa
16 Jan, 2010
Caro professor,
Não se trata de ter interpretado como uma reacção inflexível, mas antes como uma reacção demasiado rígida e “sentida”.
Afinal de contas estamos apenas a fazer algo que penso ser de salutar… discussão de ideias.
Os professores, na sua globalidade, não são ignorantes em matéria tecnológica. Dizê-lo seria um erro meu. O que são é, na minha opinião, e de aqui de forma indiscriminada, incapazes de se adaptar às novas tecnologias na educação, aceitando-as… repito, que esse não me parece ser o seu caso, mas não quer dizer que não seja o caso de outros docentes, seus colegas.
“fui-me apercebendo de que, para a minha actividade, não precisava de dominar todas as inovações informáticas que foram surgindo vertiginosamente e nunca mais pararam”
De forma alguma. É impossível para um professor ou qualquer outro profissional conseguir apanhar “todas as inovações”. Aliás, isso é impossível para qualquer pessoa. O que é possível, e salutável, é que se tente perceber a existência e a aplicabilidade em contexto de sala de aula de algumas dessas tecnologias. Essa é, pelo menos, a minha opinião.
Os problemas da educação não são relacionados com tecnologia. Vêm, alias, de bem antes. Nisso dou-lhe total razão. A tecnologia aparece, no meu texto incial, como uma forma de “ajudar”, não como a solução. A formação e desenvolvimento de uma mentalidade pró-escola diferente nos alunos é bem mais urgente e está mais descuidada, em parte porque é mais fácil instalar um projector do que convencer os alunos dos benefícios de uma aplicação escolar.
A questão que levanta do powerpoint é aquilo que basicamente digo. Quando toda a “tecnologia” na sala de aula é o ppt, quando se torna o ppt o dia-a-dia é mais do que natural que este não desperte atenção especial por parte dos alunos. Por isso urge, na minha opinião, introduzir novas tecnologias no contexto da sala de aula… tecnologias diferentes. A escola, a educação é um grande laboratório onde se podem testar pedagogias e técnicas diferentes.
E eu crítico a minha geração. A internet é, para muitos, o Hi5, a Wikipedia e, talvez, o Facebook. Quando, como sabemos, ela é bem mais do que esses “sítios do costume”.
“Se pensar bem, verá que é compreensível.”
Eu acho que a pressão por resultados que é feita aos professores é terrivelmente errónea. Ensinar parte de uma auto-motivação, de um espírito de luta, de dedicação e imaginação. É um processo que nem sempre gera resultados instantâneos. Alguns dos professores que gosto mais falam de muita coisa, dão-nos muito “know-how” do mundo, ficamos com uma visão muito mais alargada. No entanto, quando a pressão pelos resultados é diária e a burocracia aumentada exponencialmente temos uma situação em que tudo isso desaparece e os professores deixam de ter condições para fazer tudo o que deviam fazer… ensinar e, repito, ensinar não é ler o livro. Ás vezes tem de se ir além deste.
“Continuo, perdoe-me, a preferir as relações humanas cara-a-cara a uma qualquer conversa webcamizada, ainda que dispusesse de imagem a 3 ou até a 4 dimensões. É que lhe falta uma outra dimensão: a dos outros quatro sentidos.”
Acredito que a virtude está na complementaridade e não na substituição. Isto é, não temos de abolir as relações pessoais (importantes) em prol das webcams. Elas podem co-existir.
Já agora… concorda com o peso dos exames na avaliação dos alunos?
Bom fim-de-semana e obrigado pela discussão que acabou por gerar.
Ricardo Sousa
carlos
18 Jan, 2010
Meu caro Ricardo
Eu tenho uma opinião pessoal sobre os exames que é a seguinte:
Cada instituição de ensino superior, politécnico ou outro, saberá, melhor do que ninguém, quais os conhecimentos e competências que o candidato deve possuir para frequentar um qualquer curso de que disponha. Assim sendo, a meu ver, seria exclusivamente essa instituição a submeter o candidato a uma prova de ingresso. E isso bastaria.
Os exames nacionais do 12º ano só têm uma “virtude”: aferir, de algum modo, o desempenho das escolas, dos alunos e dos seus professores. O peso dos exames é já hoje reduzido. Mas talvez não se possa reduzi-lo muito mais, sob pena de acontecer o mesmo que nas provas de aferição do básico que só servem para encher chouriços!
Bom trabalho.
Carlos Pina
Manuel Marques
20 Jan, 2010
Viva!
Gostei do post, e realmente identifico-me com algumas das coisas que escreveste. Além disso, a discussão presente nos comentários também tem bastante que se lhe diga… sinto-me tentado a concordar com o professor Carlos Pina, no que toca ao plano tecnológico – tudo bem que haja melhorias na forma de ensinar, mas o ensinar deve-se cingir a isso mesmo: ensinar! É como preparar uma apresentação com os ditos PowerPoints e valorizar mais o conteúdo estético dos slides do que propriamente as ideias que queremos transmitir.
Sendo eu aluno do ensino superior, já tive a minha conta de escolas, disciplinas e exames nacionais. E posso dizer algumas coisas: os exames nacionais, actualmente, pouco avaliam, já que vi casos de alunos que entraram com grandes médias, e grandes notas nos exames nacionais, para depois pouco ou nada conseguirem fazer na universidade (e na universidade, especialmente nos primeiros anos, também já começa a haver algum “facilitismo” por parte dos próprios professores, sob pena de levarem menos financiamento do Ministério no ano seguinte! Mas essa já é uma história para outra altura…).
Quanto aos cursos profissionais, concordo plenamente: não são cursos “para burros”, muito embora com base nesse preconceito só tenham calhado lá alunos que, bem, gostam de fazer turismo e “passear os livros” – falo do que vi na minha escola secundária, que tinha um curso profissional da área de Informática. Mas é cada vez mais necessário ter técnicos competentes (e não dos que fazem turismo), já que a esmagadora maioria das pessoas que acaba o 12º ano decide avançar para o ensino superior, muitas vezes não sabendo bem porquê, nem se é mesmo isso que deseja ou pode – essas pessoas acabam, muitas vezes, por ficar presas nos primeiros anos do curso, quando poderiam já estar a trabalhar em algo que profissionalmente até seria mais gratificante!
Seja como for, conforme já disse anteriormente, este é um bom “post” (juntamente com os comentários), que resume os principais problemas que eu próprio vejo no sistema educativo em Portugal. E desengane-se quem ache que eu digo isto por só ter tido maus professores: felizmente, tive a sorte de ter alguns professores até bastante bons, que me fizeram ver que realmente existe brio profissional na classe dos professores. Claro que também tive más experiências… e sinto pena de não existir um processo para poder re-educar ou retirar os professores realmente maus.
Ricardo Sousa
20 Jan, 2010
Olá Manuel,
Obrigado pela passagem, comentário e palavras de apreço.
Quanto ao Plano Tecnológico. Eu não sei se ficou claro quer no texto, quer nos comentários de resposta que eu não defendo uma abolição dos professores do contexto de sala de aula. O elemento Humano na passagem do conhecimento é importantíssimo. O que defendo é que conjugado ao ensinar “ensinar” se usem ferramentas “2.0″ que permitam aos alunos visualizar/compreender os conceitos. isto é, uma explicação de biologia pode ter um video. Um modelo em 3D de uma célula enquanto se explica a mesma ou, talvez a questão das placas tectónicas ser visualizada num mapa interactivo. Este tipo de “add-ons” permitem que o processo educativo flua, na minha opinião, para melhor. Não é um processo de substituição mas de complementaridade.
Sou contra os exames no peso que eles têm e na importância exagerada que se lhes dá. 3 anos da minha vida valem o mesmo que 2 horas?
Quanto aos profissionais… é isso mesmo. Eles são precisos e da forma como as coisas estão hoje não estamos a produzir grandes profissionais mas sim a “passá-los”.
Os comentários são importantíssimos. É esta discussão que considero ser importante.
Os professores, não tenho nada contra eles. Preciso deles, agradeço-lhes, aprecio o trabalho deles. Mas os maus, não os quero ver no ensino da forma como estão. Quer requalificando, quer tirando mesmo… acho que tem de haver mudança.
Mais uma vez obrigado e vai dando feedback.
Ricardo
Ricardo Sousa
20 Jan, 2010
Professor,
Concordo em parte, mas continuo a achar que o seu peso é exagerado. Estamos, em alguns casos, a igualar 90 minutos a 3 anos !!
De qualquer forma a ideia de cada universidade ter a sua prova de ingresso soa melhor
Obrigado,
Ricardo S
carlos
20 Jan, 2010
Ricardo
Com o exame nacional “estamos, em alguns casos, a igualar 90 minutos a 3 anos !!” – diz o Ricardo.
E eu que o diga. Quantas frustrações, quando alunos que eu considero excelentes, revelam muitas vezes fracas prestações nos exames… Depois tenho que justificar o injustificável. E a escola também! O contrário tb acontece, ou seja, frequentemente “maus” alunos obtêm bons resultados nos exames. E durante os três anos revelaram um empenhamento mínimo. É uma lotaria!!! Compreendo a vossa angústia, pois sinto a mesma frustração dos maus resultados. O desempenho num exame depende de múltiplas variáveis, como sejam, o grau de dificuldade do exame, a sub/objectividade do mesmo, o estado de espírito no dia do exame, o temperamento do aluno, o grau de boa/má disposição do corrector, etc. etc. etc.
O resto é feito de sorte, tacto, habilidade, esperteza, sei lá mais o quê…
No entanto, o peso do exame, repito, a existir, tem de ser algo significativo, pois, de outro modo, de nada servirá. Já é difícil motivar um estudante para algo importante, quanto mais para algo que não tem relevância. E depois é a escola e o professor que tem, mais uma vez, de explicar o mau desempenho de uma turma que tinha na melhor conta. Não é isto verdade?
Faça-me o favor de não fazer do exame um papão. Se o mesmo avaliar competências e não conteúdos (refiro-me especificamente ao exame de Português) o seu desempenho será, por certo, excelente.
Boa noite. Durma bem!
Carlos Pina
Manuel Marques
14 Fev, 2010
Olá novamente!
Sou da tua opinião no que diz respeito tanto ao Plano Tecnológico como aos exames. Era excelente termos uma educação complementada pelas novas tecnologias (e nunca substituída!).
Os exames nacionais, muito embora sejam um momento de avaliação muitíssimo localizado e pontual (e devido a isso podem não avaliar exactamente aquilo que o aluno sabe), são também um “mal necessário”: eu, pessoalmente, não consigo visualizar outro método igualmente objectivo e simples (discutível) de implementar para avaliar nacionalmente as prestações dos alunos, e moderar a sua entrada no ensino superior. Digam o que disserem, a avaliação feita pela escola irá ser sempre subjectiva (isso funciona tanto para o bem como para o mal) e para se conseguir seriar os alunos para a entrada no ensino superior há que implementar uma prova comum a todos.
Ainda assim, mesmo essa suposta prova comum já não funciona assim tão bem para seriar os alunos – basta ver a qualidade dos alunos que entram todos os anos em alguns dos cursos da minha faculdade. Pioram de ano para ano!… (daí que defenda uma prova específica, a ser realizada pela *faculdade*, assim como uma entrevista ao candidato – muito à semelhança do que acontece nos EUA. Afinal de contas, o ensino superior tem que ser necessariamente elitista, de outra forma seria proclamado obrigatório!)