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Práticas na Web: Escolas

MoodleHoje volto à escrita aqui no (des)interessante e, novamente, sobre um tema que, por motivos naturais, me desperta interesse, refiro-me, claro, à educação. Ao longo deste ano, e nos próximos tempos começarão a reparar nisso, vou-me preocupar em abordar, estudar e pensar um pouco a forma como as novas tecnologias têm que entrar na sala de aula, faz sentido, então, que se comece com este texto.


Um fenómeno que tenho vindo a observar ao longo dos anos, em especial nos últimos 2 ou 3, é aquele da uniformização de práticas e de recursos. Falando em específico no caso das tecnologias refiro-me ao que observamos nas plataformas “internet” que as escolas começam a adoptar. O que é que acontece?

Aqui há uns anos (mais ou menos quando comecei a reparar neste “fenómeno”) as escolas começaram (uma a uma) e empurradas pelas outras, a criar as suas plataformas moodle. Não tenho nada (mas mesmo nada) contra quem trabalha nestas plataformas, pelo contrário. Aquilo que achava, e continuo a achar, é que esta é uma plataforma “típica” para uniformalizar as coisas. Repare-se que todas as disciplinas usam as mesmas estruturas de conteúdos, todos os sectores da página têm as mesmas opções, etc. E se isto é o que acontece no “mundo dos 3w”, aquilo que acontece no mundo real é bem, bem  diferente.
Língua Portuguesa não tem a mesma necessidade de recursos que tem Física. Talvez à professora ou professor de Língua Portuguesa lhe dê mais jeito uma plataforma com editor de texto, envio de ficheiros, etc, enquanto que ao colega de física interessa, talvez mais, links, imagens, conteúdos “dinâmicos”, etc.

Esta diversidade de “necessidades” não pode, ou não deve, ser ignorada por quem desenvolve plataformas para a educação. O Moodle é talvez o mais usado, mas ao longo dos tempos venho a chamar a atenção para a maior versatilidade que o Joomla! apresenta. Não por se tratar de ser um software com o qual trabalhei vários anos, mas por ser um facto real que outros já apontaram como válido.

De notar que as escolas de todo o país começam agora a migrar para Joomla!, mas continuam a esquecer-se do problema que é a diversidade de necessidades. Se eu quiser um blogue da minha disciplina devo poder fazê-lo. E, na mesma óptica, se não quiser uma caixa de envio de ficheiros não o devo ter. Essa responsabilidade deve caber a cada professor e não ao administrador/criador da instalação joomla da escola.

O que digo é que cada um deve ter controlo sobre a sua própria disciplina e a plataforma web que a acompanha. Podemos centralizar todos os serviços, mas temos de garantir que cada professor tenha a autonomia e as ferramentas para criar espaços próprios (dentro da plataforma mãe) que lhe possibilitem criar as suas próprias dinâmicas de ensino. No mínimo, e a ter espaços “padrão” devemos fazer adequações às diferentes áreas de ensino. Se isso for ignorado, então toda a aposta nas ferramentas web será em vão.

É por isso que acho que faz falta uma plataforma educativa pensada com atenção à diversidade de necessidades. O Moodle é excelente, O joomla também, mas precisamos de uma que pegue no que o Moodle! tem de bom, adicione a magia dos blogues Wordpress e “remate” com toda a potencialidade do Joomla, tendo em atenção que seja cada pessoa (depois de devidamente ensinada) a decidir o que quer e como quer usar. Isso é utópico? não. O Joomla! permite fazê-lo, mas requer um trabalho de adaptação incrível que ninguém ainda fez (que eu poderia fazer, mas não tenho disponibilidade) e que nenhuma entidade parece realmente interessada em fazer. Mas há algo que garanto, apenas com atenção à diversidade poderemos desenvolver plataformas de virtualização e aumento da eficácia do trabalho das escolas que efectivamente funcionem.

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